Artigo 13

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Eu a Suína e a Vaquejada de Serrinha

Vaquejada Farias Brito

Image via Wikipedia

A Gripe Suína (H1N1) tornou-se a nova vilã do momento, espalhando terror e mortes por onde passa. Tenho um relato do meu primeiro contato oficial com a Gripe Suína e os momentos desesperadores e as vezes até engraçados que passei. Tudo começou numa quarta-feira, estávamos reunidas organizando uma viagem entre amigas para Serrinha a cidade da Vaquejada, que seria realizada no próximo domingo, quando o assunto “beijo” foi tocado. As vezes com o corre-corre da vida contemporânea esquecemos dos problemas que nos rodeiam, a temida Gripe Suína. Fizemos nosso primeiro trato: Nada de beijos. Imaginem ir para uma festa nesse nível e não acontecer nenhum contato físico? Foi então que uma das minhas amigas nos sugeriu o seguinte:

- Façamos igual à Júlia Roberts em ‘Uma Linda Mulher’. Curiosamente todas perguntaram ao mesmo tempo. – Como? A criadora da sugestão prontamente respondeu. – Faremos tudo, menos beijar!

Até o momento tudo estava resolvido, mas na quinta-feira acordei com o corpo mole e com febre, achei que os sintomas eram devido ao meu vício incontrolável pela nicotina, infelizmente não melhorei e fui logo ligando para o trabalho avisando que não poderia ir, o chato de se ficar doente e de ligar pro chefe é que a gente sempre sente que quem atende do outro lado da linha acha que estamos mentindo, dando o velho e bom “zignow” que vez ou outra é muito bem vindo. Liguei para as amigas, avisei que estava doente, mas que melhoraria (como se eu fosse dona do destino) para nos divertirmos na vaquejada. As coisas só iam piorando conforme o tempo ia passando, febre de 38,5 graus, tosse seca, dores no corpo, nariz escorrendo. Epa! Esses sintomas são da Gripe Suína! Como moro afastada da capital, resolvi ir urgentemente ao médico numa clínica aqui mesmo em minha cidade. Tomei soro, injeção nos glúteos(essa foi a pior parte), fiquei de molho mas as dores passaram finalmente. O médico me receitou um remédio, que não se chamava Tamiflu e me disse que não era a suína e que eu não me preocupasse. Até aí tudo bem, mas ao voltar pra casa me senti mal e terminei voltando para a clínica, passei pelo mesmo processo, soro, injeções nos glúteos, nessa altura estavam mais para peneira do que para almofada, como faltou uma injeção resolvi comprar na farmácia e tomar em casa no dia seguinte, já não agüentava mais aquele ambiente, logo fui pra casa. Na sexta-feira acordei com febre tomei o remédio, tomei chás, sucos, água, não tive fome, só sentia dores, febre, tristeza (pensava na festa de domingo que estava prestes a perder), tomei a bendita injeção pendente, dor alucinante. A febre baixou e me deitei um pouco pra descansar do ‘treme-treme’ que tinha passado horas antes devido ao frio que senti. Acordei com uma dor de cabeça horrível e uma febre de pasmem 40 graus, tomei banho gelado, banho de álcool, remédio, conseguimos (eu e minha mãe) baixar minha febre. Arrumamos nossas coisas e viemos pra capital, pois nunca tive febre tão alta, enquanto viajávamos mil coisas passaram na minha cabeça: vaquejada, serrinha, suína, eu, me ferrei! Chegando ao Hospital Português, mais um martírio, mesmo depois de dizer que talvez estivesse com gripe suína esperei 1 hora e meia até o atendimento, em minha opinião se fosse pelo SUS eles teriam atendido logo. Depois da longa e desesperadora espera (já estava pensando que eu seria a próxima vítima da Gripe Suína, não tem como, nessas horas só o pior vem na sua cabeça) fui atendida por uma médica, que pelo meu relato não acho que eu tivesse a gripe suína mas sim uma inflamação na garganta ela pediu exames de raio x, de sangue,  e antes de me encaminhar para o leito, me cedeu uma máscara. Perguntei: Essa máscara aí doutora é pra eu não me contaminar? A médica balançou a cabeça e disse: Não, é pra você não contaminar as pessoas lá dentro! Fui encaminhada para um leito de enfermaria e já cheguei chamando a atenção, será que foi a máscara? Minha Escova Progressiva é que não foi! Tirei raio-X, colheram meu sangue, dormi.  Acordei ouvindo uma conversa de minha vizinha de leito com a mãe, devia ter uns 30 anos, não mais que isso, estavam falando sobre os problemas do rim transplantado, das pedras na vesícula, de retirada de útero, me senti mal, tanta gente ai sofrendo por muito mais coisas que eu nesse momento e aqui só pensando em vaquejada em Serrinha, dormi novamente. Acordei com minha mãe me fazendo carinho, muito bom, me senti cuidada, logo após chegou o médico com os resultados, o raio x deu tudo normal, sem pneumonia, sem nenhuma alteração, o exame de sangue deu normal também, ele disse só que era pra trocar o remédio da febre, pois o que o médico tinha passado era muito fraquinho e por isso talvez a febre não cedia, saímos aliviadas e voltamos pra casa.
No sábado acordei feliz da vida, sem febre, sem dores, com fome e vontade de sair, fomos pegar as camisas da vaquejada de Serrinha, sim, resolvi ir pra vaquejada, afinal a vida é agora, sei que não estou com a maldita Gripe Suína, não vou beijar ninguém, nem espirrar em ninguém. Vocês devem estar pensando, se não está com a suína, deve estar mais suscetível a suína não é mesmo? Errado! Lembram do mimo que ganhei da médica no hospital? A máscara além de me proteger vai ser um charme só!

Por: Ana Paula Kunoichi

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